Empatia como ferramenta para a liderança

Empatia

Artigo de Ana Lu Tanaka para o portal Jornal 140.

Confira também dicas para desenvolver o seu potencial empático

“O ser humano é egoísta e individualista por natureza!”. Você já deve ter escutado essa frase alguma vez na vida. Pode ter vivido alguma experiência ou assistido filmes que mostram o pior lado das pessoas e reforçam essa crença. Aliás, muitos pensadores influentes como Thomas Hobbes e Freud diziam que somos criaturas voltadas para nossos próprios interesses, autoproteção e egoístas por definição. Porém, no decorrer dos anos, muitas pesquisas de diversas áreas comprovaram o oposto. Mais do que seres individualistas, somos Homo Empathicus, fisicamente equipados para sentir empatia.

Neurocientistas identificaram em nosso cérebro um conjunto de circuitos da empatia. Biólogos evolucionistas mostraram que somos animais sociais e que evoluímos naturalmente para sermos empáticos e cooperativos. Já psicólogos revelaram que até mesmo crianças de três anos são capazes de enxergar a partir da perspectiva de outros. Com exceção de pessoas que o psicólogo Simon Baron-Cohen chama de “zero grau de empatia”, entre elas os psicopatas – que têm a capacidade cognitiva de influenciar e manipular, mas não de estabelecer conexão emocional – e pessoas com certos distúrbios, que representam 2% da população, os outros 98% da humanidade nasceram para serem empáticos.

Empatia é uma construção intelectual

Como diz o historiador e filósofo Roman Krznaric, ao contrário do que muitos pensam, a regra de ouro: “faça para os outros o que gostaria que eles fizessem para você” não se aplica ao conceito, pois dizer isso supõe que seus próprios gostos, interesses e necessidades coincidem com os deles. Empatia é a arte de se colocar no lugar do outro por meio da imaginação, compreendendo seus sentimentos e perspectivas e usando essa compreensão para guiar suas ações.

Por exemplo, eu não tenho filhos, mas por meio de conversas com mulheres que são mães, observação, leitura sobre os desafios das mulheres, mães em especial, no mercado de trabalho, consigo ter uma noção de algumas necessidades e dificuldades que elas enfrentam. E volto a citar Djamila Ribeiro, filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica brasileira, que diz que empatia é uma construção intelectual. “Se eu não conheço uma realidade, eu posso ler sobre e ouvir pessoas de um grupo. Porque aí eu entenderei a realidade de outros grupos e a partir daí, me responsabilizo pela mudança”.

Poderosa ferramenta para a liderança

Dessa forma, mudando a percepção de seres egoístas para seres empáticos por natureza, ficamos mais abertos para um novo olhar sobre como nos relacionamos e gerirmos nossas equipes. Para os líderes de hoje, uma das maiores dificuldades é fazer a gestão de pessoas diversas em todos os aspectos, com características peculiares e únicas. Existe um ser mais complexo do que o ser humano? Desconheço. E entender a “forma de funcionar”, necessidades, motivações, aspirações e crenças de cada integrante da equipe é essencial para a posição.

Algumas pessoas podem discordar, mas também por isso, treinamentos de perfil comportamental surtem efeito e melhoram o relacionamento da equipe, pois entender a forma de funcionar do outro facilita a convivência. Deixo de olhar apenas para mim e passo a entender os porquês de algumas atitudes e a enxergar por outras perspectivas. Também deixo de tratar o outro como gostaria de ser tratado e passo a me adequar melhor ao outro.

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